“Transporte de massa não é solução”

A solução para conciliar o crescimento da cidade e a mobilidade para o arquiteto suíço-canadense Luc Trottier, da Universidade de Laval, Quebec-Canadá, está em “‘desdensificar’ as cidades, enquanto a população está aumentando”. Termo usado para a expansão do território urbano com melhor partilha e uso dos espaços.  Especialista em arquitetura sustentável e controle bioclimático, Trottier Esteve em Natal,  uma das cidades sede para a copa de 2014, para participar do Seminário “Densidade e Mobilidade Urbana”, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas da UFRN, onde apresentou o projeto da cidade de Louvain-La-Neuve, na Bélgica, que se aproxima do conceito de mobilidade sustentável. Confira a entrevista:

Como conciliar o adensamento e a mobilidade urbana?

A densidade urbana acontece em redor de um núcleo de serviços, onde as pessoas se reúnem. Infelizmente a modernização se deu em direção do carro, porque a sociedade atual acentua o lado individual das pessoas em detrimento do coletivo. Isso multiplicou os espaços dos carros nas cidades e reduziu para os pedestres. É preciso  ‘desdensificar’ das cidades, enquanto a população está aumentando, ou seja, expandir o território urbano com melhor partilha e uso dos espaços.

A cidade de  Louvain-La-Neuve, na Bélgica, seria um exemplo dessa desdensificação?

Louvain-La-Neuve é uma cidade construída há 40 anos para abrigar uma universidade. Mas ao invés de um campus, o governo belga decidiu criar uma nova cidade – com o mesmo princípio urbanístico de Brasília. Entretanto, as pessoas decidiram construir percursos para  pedestres, obrigaram os edifícios a serem próximos. Tudo isso garantiu uma cidade densa e com curtas distâncias. A diferença com Brasília, é que Brasília é uma cidade nova criada para os carros,  enquanto Louvain-La-Neuve é uma cidade nova para os pedestres.

Como o modelo funciona?

Lá há uma relação de construção de espaços públicos em equílibrio entre as pessoas e os veículos. Quase 50% de Louvain-La-Neuve é área verde, 25% de edificações, 25% de ruas. Essa última é dividida em 12% para os pedestres, 12% para a circulação de carros e 1% para os trens. Claro que esta é uma cidade bem pequena. Ainda há muita pesquisa a fazer. Mas o modelo pode ser reproduzido, caso vá se criar uma cidade ou ainda se estar buscando uma espécie de ponto neutro, entre a vegetação, a rua, os prédios e os carros isso também. Grandes centros, como Londres e países escandinavos, também conseguiram tirar os carros particulares. Um sistema de pedágio foi instalado e as pessoas não podem passar de carro. Então, o centro urbano acaba sendo atendido por transporte público.

Fala-se muito em investir em transporte público de massa como solução:

É uma alternativa muito viável. Mas não é a solução. O transporte  coletivo não acabaria com o problema de mobilidade. É preciso também limitar o número de estacionamentos. E se o carro não pode ir até determinados lugares é preciso que o poder público invista em transporte coletivo. É necessário ainda ter bairros com edifícios mais baixos e diversificados, que permitem as pessoas viver, trabalhar e fazer compras no mesmo lugar, o que aumenta o tempo de atividade pessoal de cada um. Deixar de lado o carro, em qualquer tipo de família, pode aumentar o poder aquisitivo até 25%.

O senhor defende uma cidade sem carros. É possível, se há interesses econômicos?  

Uma sociedade sustentável, pode ter o mesmo número de pessoas trabalhando em outros setores, como a tecnologia ferroviária, construção civil.

Que intervenções devem ser feitas para melhorar o trânsito de forma sustentável?

O caminho são os transportes leves e os de linhas férreas, quando implantados em espaço público tira por si só os carros. O transporte ferroviário demanda alto investimento na fase inicial, mas são mais econômicos a longo prazo. As vias férreas são construídas para durar 50 anos. E os setores imobiliário, de infraestrutra, se interessam em investir ao longo dessas vias. As cidades que adotam o metrô, por exemplo, em 10 a 20 anos tem a densidade distribuída aí. É uma relação onde o poder público deve  pagar pelo transporte público e o privado em construir.

No Brasil, o transporte é feito prioritariamente de forma rodoviária. Quase não há uso da estrutura férrea. Deve se rever o modelo de transporte?

Se já existem os ônibus, o meio  mais simples é fazer com que eles circulem em corredores reservados. O que geral é bem eficaz quanto a pontualidade e atendimento do transporte. Se queremos fazer com que as pessoas usem mais o transporte coletivo, tem que reduzir o espaço do carro. Delimitar a área do ônibus e ao mesmo tempo aumentar o espaço para os carros  não resolve.

Para a Copa do Mundo há previsão de investimentos na ordem de R$ 600 milhões em obras de mobilidade em Natal, para melhorar a área para os carros.

Em um país em desenvolvimento é importante criar novas estradas é fator do desenvolvimento, mas é preciso ver essas estradas não como um investimento, mas como um gasto a longo prazo que só faz aumentar. No transporte público ocorre o inverso, muito investimento no início  e pouco gasto de manutenção.

Investir em construção e ampliação de vias rodoviárias, então faz o caminho inverso? 

Em todo mundo é assim. As ruas são vistas como uma espécie de funil, quando estão impedidas se constrói, o fluxo é redimensionado quando chega ao limite. O que ocorre é que as três pessoas que criam os espaços para as pessoas viverem, pensam de forma isolada. O urbanista se interessa apenas pelas cidade e não pensa nas ruas, que fica à cargo do engenheiro, enquanto o arquiteto se volta para os prédios e não para a relação com os bairros.

Há como definir esse equilíbrio nos transportes e territórios como um modelo ideal?

Em geral, as cidades tem em média 35% do território destinado aos transportes – estradas, grandes rodovias, estacionamentos – que é usado só pelos carros. Acredito que esses 35% deveriam ser divididos, ficando de 10 a 12% para os carros, o mesmo para os transportes de uso em comum e pelos pedestres, e ainda sobrariam 10% que poderia ser ocupados para praças públicas, parques, áreas verdes.

Fonte: Tribuna do Norte

Acampe com toda tecnologia e conforto!

Você ama acampar? Adora se aventurar por ai? Que tal viajar por sua conta, sem depender de horários de aviões e ônibus e ainda ter todo o conforto do mundo?

O “Bufalino” é perfeito para quem quer aproveitar o melhor da estrada sem precisar ter todo o trabalho de montar e desmontar barracas ou ficar preocupado com horários. Composto por todos os elementos necessários para você viver, este Paggio APE 50 ainda tem a vantagem de ser um veículo isento de impostos em alguns países (devido ao seu consumo extremamente econômico de combustível), além de ter um belo design. Dentro do Bufalino existe uma cama, dois assentos, uma pequena cozinha, armários, uma geladeira e muito mais.

E ai, quem se aventura?

Não esqueça de classificar este post!

Fonte: Obra Vip Blogs

Mobiliário Urbano – Bicicletas

Outro projeto para fazer com que as pessoas andem mais de bicicleta nas cidades. Este é o “P+”. Projetado por Young-Min Kim, Hyeon-Jeong Woo e Kyung-Goo Lee para promover o saudável uso das bicicletas em áreas onde normalmente não há muitos ciclistas, colocando balisas para seguranças das bicicletas, quiosques de informação e assentos para descansar.

Existem 3 tipos de objetos no P+: o rack, o poste de sinalização e o banco. Como você pode ver nas fotos, o poste de informação é diferente em altura para que os ciclistas mesmo montados na bicicleta possam ler as informações. Estes postes indicam as informações sobre a área, e a linha onde estão os racks e bancos.

Os bancos e racks são praticamente a mesma coisa. Com a mesma forma pode-se sentar de diversas formas, com ou sem as bicilcetas acopladas ao mesmo tempo.

Fonte: Yanko Design

Conheça as 10 melhores cidades do mundo para pedalar

Levando em conta as políticas públicas, o planejamento urbano e a própria cultura de cada cidade, site lista as dez cidades do mundo mais bem preparadas para acolher os ciclistas.

Com o ambientalismo em voga, a bicicleta está rapidamente se tornando um item importante na malha do transporte urbano. Não há dúvidas dos benefícios que ela traz ao meio ambiente e ao próprio trânsito, mas é preciso um planejamento sério da cidade para que seja possível enxergar essas vantagens.

O site askmen.com fez uma lista para os apaixonados pelas duas rodas: as dez cidades do mundo mais amigas das bicicletas, ou seja, mais bem preparadas para acolher esse estilo de vida. Confira o ranking a seguir:

10. Trondheim, Noruega


É comum escutar dos não ciclistas que o problema da bike é que ela te deixa na mão na hora mais difícil: nas ladeiras. A cidade norueguesa resolveu esse problema: construiu elevadores para bicicletas, que levam os ciclistas morro acima, segurando um de seus pés. Estima-se que 18% da população de Trondheim use a bicicleta diarimente como meio de transporte.

9. Pequim, China
O número de carros em Pequim, assim como em outras cidades em desenvolvimento, está em ascensão. Assim, a bicicleta acaba sendo a melhor maneira de se locomover pela cidade e de fugir dos congestionamentos de veículos. Como a qualidade do ar de Pequim é outro problema urbano, o incentivo ao uso das bikes tem sido parte das políticas públicas proeminentes.

8. Barcelona, Espanha


O Conselho da Cidade de Barcelona criou, em 2007, o programa Bicing de aluguel de bicicletas. O usuário possui um cartão e pode emprestar uma bike em qualquer um dos 100 postos espalhados pela cidade e devolver em qualquer um outro. A cidade criou ainda o “anel verde”, uma ciclovia que cerca toda a área metropolitana de Barcelona.

Hoje, existem 3.250 vagas de estacionamento para bicicletas no nível da rua, além dos projetos de garagens subterrâneas, para garantir maior segurança aos ciclistas. A cidade espanhola é conhecida também pelos eventos e mobilizações pró-bicicleta, como o Bike Week.

7. Basileia, Suíça

Além das ciclovias espalhadas pela cidade, Basileia possui também faixas exclusivas para ciclistas na pista esquerda das vias, com sinalização adequada e mapas com as melhores rotas. O planejamento pró-bicicleta não fica só no perímetro urbano, existem ciclovias que ligam a cidade a outras partes da Suíça. Basileia, como as outras da lista, também tem grandes programas de aluguel de bicicletas, como o Rent-a-Bike.

6. Portland, Estados Unidos
Com mais de 480 km de ciclovias, Portland oferece bicicletas aos cidadãos de renda mais baixa. E as bikes são bem equipadas: capacete, cadeado, bomba para encher pneu, mapas e capas de chuva são os acessórios que as acompanham. Cerca de 9% dos habitantes da cidade norte americana usam bicicleta.

5. Montreal, Canadá

A cidade canadense é a primeira da América do Norte a adotar um sistema público de bicicleta de tal porte, o BIXI (junção das palavras bicicleta e táxi). Ele consiste, basicamente, em um programa de aluguel de bikes. Recentemente, Montreal investiu US$ 134 milhões para renovar ciclovias e construir um ambiente ainda mais favorável aos ciclistas.

4. Curitiba, Brasil
Nós também entramos na lista. Conhecida pelo bom planejamento urbano, Curitiba também estimula o uso de bicicletas como transporte há mais de 40 anos. Tanto que a presença de ciclovias na cidade é claramente vista. Além da infraestrutura, existe uma comunidade ativista pró-bicicleta bem atuante, com o intuito de promover o uso da bike como alternativa ao congestionamento de carros.

3. Bogotá, Colômbia
Na cidade sul-americana, os programas públicos pró-bicicleta não são tão vigorosos quanto os europeus, mas Bogotá tem uma vantagem demográfica que a faz entrar nessa lista: apenas 13% da população possui carro.

Assim, a bicicleta passa a ser uma necessidade e, uma vez por semana, mais de 70 km de vias públicas são fechadas para o tráfego de automóveis, para que ciclistas, skatistas e corredores possam transitar pelas ruas com maior segurança.

2. Copenhagen, Dinamarca

Uma das melhores cidades do mundo para se viver, a capital dinamarquesa também é umas das que tem mais programas urbanos a favor da bicicleta. Cerca de 32% dos empregados vão de bike até o trabalho. As ciclovias são bem extensas, no geral, e muitas vezes separadas das pistas de tráfego principais, com sinalização própria.

Existe ainda um bairro da cidade, chamado Christiania, totalmente livre de carros. A cidade também possui sistema de bicicletas públicas gratuito. A pessoa precisa apenas deixar uma certa quantia de dinheiro, que será devolvido a ela no fim do empréstimo da bike.

1. Amsterdã, Holanda

Só o fato de 40% dos deslocamentos da cidade serem feitos de bicicleta, já vale o posto de 1º lugar. Mas Amsterdã possui muitas ciclovias, bicicletas públicas disponíveis para locação, galpões para bikes, sinais de trânsito e corredores nas vias públicas destinados apenas a bicicletas, o que colabora com a segurança dos ciclistas.

Como diz o ditado: respeite a bicicleta,  é um carro a menos a sua frente.

Fonte: Revista Galileu