Copa 2014 vai promover inovação tecnológica na arquitetura esportiva

Projetos das arenas do Mundial incorporam soluções arrojadas de engenharia e sustentabilidade.

A Copa de 2014 não trará ao Brasil apenas o maior evento esportivo do planeta. Na avaliação de arquitetos envolvidos com os projetos, a Copa é também uma oportunidade para incorporar inovações tecnológicas à arquitetura e engenharia esportiva do país, que durante um período estará na vanguarda mundial.

Um exemplo é o estádio Mané Garrincha, em Brasília. O arquiteto Eduardo de Castro Mello teve que buscar no exterior uma solução diferente para sustentar a cobertura, que terá 132 metros de raio. Além de proteger 100% dos espectadores, a cobertura foi concebida desde o início para ser um dos elementos mais marcantes do projeto, já que a capital concorre à cerimônia de abertura da Copa.

Outro ponto forte do projeto brasiliense são os elementos de construção sustentável. Os arquitetos buscam o nível máximo da certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), o selo Platinum. Para isso, propuseram para a cobertura uma membrana revestida de dióxido de titânio que, em contato com a água da chuva, libera oxigênio na atmosfera.

“É uma espécie de fotossíntese”, afirmou Castro Mello durante o sexto Fórum dos Arquitetos da Copa, realizado pelo Portal 2014, em São Paulo.

Optando pelos LEDs, o projeto do novo Mané Garrincha também conseguiu reduzir em 50% o consumo de eletricidade das lâmpadas externas.

A economia de recursos naturais também é um dos focos do projeto da Arena da Baixada, em Curitiba. Segundo o arquiteto Carlos Arcos, o estádio reinaugurado em 1999 possui um sistema de ar-condicionado que gasta 30% menos que outros modelos convencionais.

A tecnologia usada para conseguir a redução é simples: o exterior do edifício é revestido com policarbonato, o que favorece a climatização dos espaços internos.

No projeto para a Copa de 2014, a Arena da Baixada terá ainda reservatórios para água da chuva e sistemas economizadores nos banheiros.

“Certamente um dos legados da Copa será a construção de estádios mais eficientes tanto no consumo de água e energia, quanto no aspecto financeiro”, diz Arcos.

Público

Durante o fórum, os arquitetos também discutiram como os projetos da Copa podem acabar promovendo a mudança do público que frequenta os estádios.

Na avaliação dos projetistas, a tendência é que os estádios sejam mais seguros e confortáveis. Mas o torcedor terá que pagar mais caro por isso. “Foi o que aconteceu na Europa, onde o ingresso custa em média 70 euros”, diz Arcos.

Para a Copa, a Fifa exige que ao menos 5% dos estádios sejam adaptados para o público vip, com serviço de alimentação e estacionamento exclusivo. Arcos acredita que depois do Mundial o ingresso para o setor custará entre R$ 400 e R$ 500, e puxará para cima o preço das áreas mais populares.

Na avaliação do projetista da Arena da Baixada, ao contrário de esvaziar os estádios, os ingressos mais caros devem levar ainda mais torcedores às partidas de futebol. “Quanto mais aumenta o preço do sócio torcedor (do Atlético Paranaense), mais aumenta a procura pelo produto. As pessoas pagam porque têm um conforto maior. A presença feminina já chega a 40% (na Arena).”

Para o arquiteto Marc Duwe, projetista da Fonte Nova, as arenas em construção para a Copa devem levar à profissionalização dos clubes e da gestão de estádios. “Se compararmos os estádios que estamos projetando com os que existem vemos que o processo não tem mais volta.”

Para a arena de Salvador, no entanto, o governo baiano incluiu cláusulas no contrato de Parceria Público-Privada que garantem uma quantidade de ingressos a preço popular. “Os ingressos mais caros vão subsidiá-los”, afirma Duwe.

Fonte: copa2014.org.br

Por que Curitiba deu certo?

“Você não pode deixar de visitar curitiba”. A recomendação foi feita pelo urbanista dinamarquês Jan Gehl, ao saber que o projeto Cidades para Pessoas ia percorrer centros urbanos pelo mundo buscando boas ideias de planejamento. “Curitiba é o melhor exemplo brasileiro”, disse Gehl. Não demorei a confirmar sua opinião.

Andar pelo centro de Curitiba é percorrer caminhos entre praças. Elas são numerosas e sempre possuem o que os urbanistas chamam de “locais de permanência” – aquilo que conhecemos como bancos. Mesmo que eu não tenha saído de casa em busca de praças, elas apareciam pelo caminho, assim como surgiu o Passeio Público – o parque mais antigo da cidade, com entrada livre – e a Rua das Flores – a primeira via de pedestres do Brasil. São espaços integrados à cidade, dentro de um circuito que eu percorria, intuitivamente, à pé.

Trânsito? Há, como na maioria das grandes cidade. Mas os eixos do transporte público da foram pensados justamente para desafogar o excesso de carros em longos deslocamentos. Os ônibus de curitiba transitam por linhas de vias expressas exclusivas e possuem estações tubulares de embarque. O sistema está sobrecarregado, é verdade, mas não precisa competir com os carros para transitar, uma vantagem e tanto.

Por que foi assim?
Há dois marcos importantes para entender a história do planejamento de Curitiba. O primeiro é a presença do arquiteto francês Alfred Agache, que percorreu várias capitais brasileiras, onde propôs planos e ideias para melhorá-las. Agache buscou nas raízes da arquitetura francesa conceitos que diziam que uma cidade deve ter um centro forte e crescer em círculos ao redor desse centro. Quando chegou à Curitiba, na década de 40, a cidade tinha 180 mil habitantes. Propôs a criação de centros especializados em comércio, indústrias, educação e convívio social. São dessa época o Centro Cívico, a rua Cândido de Abreu, o centro universitário Politécnico e o Mercado Municipal. “Ese plano garantiu que Curitiba tivesse um início de crescimento organizado”, explica o arquiteto de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Reginaldo Reinert.

O segundo marco se deu 20 anos mais tarde. Na década de 60, a cidade cresceu muito, o que concidiu com a facilidade de crédito para adquirir automóveis. E esse foi um momento divisor de aguas para Curitiba. Foi aí que a cidade optou por um crescimento a longo prazo e que priorizasse as pessoas, em detrimento dos carros. Quem conta essa história, no vídeo abaixo, é o ex-prefeito Jaime Lerner e o arquiteto Reginaldo Reinert.

Fonte: Cidade para pessoas

Curitiba é escolhida pelo Japão para zerar emissão de poluentes

O secretário de Estado do Planejamento e Coordenação Geral, Cássio Taniguchi, reuniu-se sexta-feira passada (4) com representantes da Jetro – Japan External Trade Organization, empresa do governo japonês sem fins lucrativos. Durante o encontro, realizado no Ipardes, o diretor da corporação, Yoshiaki Usami, apresentou um projeto de investimento relacionado à sustentabilidade para Curitiba.
A capital paranaense está entre as três cidades escolhidas no mundo pela empresa para receber os recursos e empresas japonesas na área de meio ambiente. As outras duas cidades escolhidas foram Estocolmo (capital da Suécia) e Taiwan (na República da China).
Segundo o secretário Cássio Taniguchi, os japoneses querem fomentar a indústria japonesa no Brasil e América Latina investindo fora do Japão buscando sempre a sustentabilidade.
Curitiba foi escolhida pela empresa Jetro por ter uma tradição já de mais de 30 anos no setor de preservação do meio ambiente.
“Acredito que no caso de Curitiba é uma oportunidade excelente para que esta proposta se transforme em uma política de governo porque queremos Curitiba com emissão zero. E este é o desfio da indústria japonesa que está disposta a ajudar a fazer com que está política se torne realidade”, diz o secretário.
“Para que o Paraná como um todo também se transforme em um estado de emissão zero, é necessária a utilização bioenergia fazendo assim com que tenhamos zero de balanço de carbono e ao mesmo tempo criando condição de biodiversidade que já existe no nosso estado, mais que precisa ser expandido”, explica Taniguchi.

Fonte: IC News – via facebook do Nipo cultura

VÍDEO – O canto da cidade de Jaime Lerner

Olá a todos!

Hoje eu trago a vocês um vídeo muito interessante com uma palestra em inglês de Jaime Lerner. Mas não se preocupe, há legendas em diversas línguas inclusive português do Brasil.

Jaime Lerner, nasceu em 17 de dezembro de 1937 em Curitiba, é arquiteto e urbanista, graduado em pela Universidade Federal do Paraná em 1964.

Um dos criadores e estruturadores do Instituto de Pesquisa e planejamento urbano de Curitiba (IPPUC) em 1965, participou da preparação do Plano Diretor de Curitiba que resultou numa transformação física, econômica e cultural da cidade.

Foi prefeito de Curitiba por três mandatos e desde seu primeiro mandato, Lerner consolidou a transformação urbana e implantou o Sistema Integrado de Transporte Coletivo reconhecido mundialmente por sua eficiência, qualidade e baixo custo. Também foi, por duas vezes governadro do estado do Paraná.

Além da vida política, Lerner ganhou vários prêmios regionais e nacionais em projetos de arquitetura e planejamento urbano, venceu concursos internacionais de arquitetura e desenvolveu projetos para várias cidades brasileiras como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Aracaju, natal, Goiânia, Campo Grande e Niterói, entre outras. Também rtrabalhou em Caracas (Venezuela), San Juan (Puerto Rico), Xangai (China), Havana (Cuba), Seoul (South Korea); e foi consultor das nações Unidas para assuntos urbanos.

Fundador do Instituto Jaime Lerner, desde 2003 preside o Jaime Lerner Arquitetos Associados, seu escritório de arquitetura em Curitiba.

Neste vídeo ele comenta como os exemplos feitos em Curitiba podem se aplicados em qualquer cidade, de qualquer tamanho, com qualquer orçamento.

É muito interessante ver o que um arquiteto urbanista pode fazer quando governa uma cidade. Quem melhor pode imaginar como uma cidade vai se tornar, ou como pode melhorar do que um profissional que estuda, gosta, e vive arquitetura e a cidade em si?

O link a seguir da TED: Ideas worth spreading vale também a visita.

 

Fonte: TED, site oficial Jaime Lerner

Curitiba é eleita a cidade mais sustentável do mundo

Premiação do Globe Forum, da Suécia, escolheu a capital paranaense pelo projeto Biocidade, que tem como objetivo reduzir as perdas da flora e fauna no meio ambiente urbano.

Imagem de satélite da cidade de Curitiba

A capital paranaense ganhou, por unanimidade, o prêmio Globe Award Sustainable City, que elege a cada ano a cidade mais sustentável do mundo. A premiação é organizada pelo Globe Forum, da Suécia. Concorriam com o município brasileiro Sydney (Austrália), Malmö (Suécia), Murcia (Espanha), Songpa (Coreia do Sul) e Stargard Szczecinski (Polônia).O Globe Award Sustainable City avaliou itens como preservação de recursos naturais, bem-estar e relação social nas cidades, inteligência e inovação nos projetos e programas, cultura e lazer, transporte, confiança no setor público e gerenciamento financeiro e patrimonial. “Particularmente, a abordagem holística com que a cidade encarou os desafios da sustentabilidade é bem delineada e gerenciada numa clara demonstração de forte e saudável participação da comunidade e integração da dimensão ambiental com as dimensões intelectual, cultural, econômica e social”, disse o júri em nota oficial.

O principal projeto apresentado por Curitiba à premiação foi o Biocidade, que integra a questão ambiental a todas as ações do Município. O programa foi lançado em março de 2007 com o objetivo de reduzir as perdas da flora e fauna no meio ambiente urbano, compatibilizando o desenvolvimento da cidade com a conservação ambiental.

Entre as ações que já foram implementadas pelo Biocidade, estão a criação da Linha Verde, parque linear com cinco mil árvores e 350 mil m² de grama, a revitalização do Horto Florestal, a recuperação de áreas degradadas pela ocupação irregular das margens dos rios da cidade, como a Bacia do Rio Barigüi, a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal e o investimento em ônibus movidos a biocombustível.

“É uma vencedora muito sólida, com um plano holístico que integra todos os recursos estratégicos conectados com inovação e sustentabilidade futura”, disse Jan Sturesson, presidente do comitê de jurados do Globe Award. Além de Sturesson, participaram do júri Lawrence Bloom, membro do Programa Ambiental da ONU, Marilyn Hamilton, fundador da Integral City Meshworks Inc., C. S. Kiang, professor da Universidade de Pequim e o brasileiro Carlos Arruda, diretor de relações internacionais da Fundação Dom Cabral.

O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, recebeu o Globe Award Sustainable City no dia 29 de abril, em cerimônia no Museu Nórdico de Estocolmo. Além da premiação, Curitiba teve um espaço para exibição de seus programas e um palestrante na sessão Inovação em Cidade Sustentável da Conferência Mundial de Sustentabilidade Globe Forum, que aconteceu em Estocolmo, entre os dias 28 e 29 de abril.

Curitiba também ganha dois anos como membro especial do Globe Forum, em 2010 e 2011, e destaque nas conferências que acontecerão em Dublin, em novembro de 2010, e em Gdansk, em 2011.

Fonte: Papo de Arquiteto