Cimento “transparente” deixa luz do sol entrar em prédios

Entrada de luz solar diminui consumo de energia elétrica nos edifícios sem prejudicar estrutura.

Uma empresa de arquitetura da Itália desenvolveu um “cimento transparente” que permite que a luz solar penetre nos ambientes, transformando as paredes em janelas gigantes.

Entrada de luz solar diminui uso de energia elétrica nos edifícios.

O material foi batizado de i.light e tem centenas de orifícios minúsculos que permitem a entrada da luz sem comprometer a integridade da estrutura do edifício. Se observados de perto, é possível ver os pequenos buracos de 2 ou 3 milímetros, mas quem olha de longe tem a impressão que a parede é transparente.

A tecnologia já foi testada em um edifício, o pavilhão italiano da World Expo em Xangai, no ano passado. Segundo a Italcementi, empresa que desenvolveu o produto, o uso do cimento perfurado pode economizar a mesma quantidade de energia que é economizada durante o horário de verão na Europa.

Cimento transparente permite que luz “atravesse” a parede

No pavilhão italiano da World Expo, 40% da parede de 18 metros de altura foi composta pelo “cimento transparente”. O produto já foi patenteado pela empresa italiana, que afirma não ter planos de exportar a inovação para outras partes do mundo a curto prazo.

Resta saber se pelos micro furos não passa água também né? Mas a ideia é muito legal!

Fonte: Revista Galileu

Concreto flexível é capaz de se autoconsertar sem intervenção humana

Um concreto desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, é capaz de se autoconsertar apenas com a adição de água e dióxido de carbono (CO2).

O autoconserto é possível porque o novo concreto foi desenvolvido para dobrar e se quebrar em finíssimas lacunas, equivalentes à metade do diâmetro de um fio de cabelo humano, em vez de se quebrar em pedaços ou criar fissuras grandes, como acontece com os concretos normais.

“É como quando você faz um pequeno corte na sua mão, o seu corpo pode se reparar sozinho. Mas se você tem um grande ferimento, então precisará de ajuda. Nós criamos um concreto que se fratura em fissuras pequenas o suficiente para que possa se autoconsertar,” explica o professor Victor Li.

Concreto flexível

Segundo Li, o novo concreto poderá tornar as obras mais seguras e mais duráveis. Uma ponte danificada por sobrecarga ou por abalos sísmicos, por exemplo, poderia voltar a operar normalmente em poucos dias.

A imagem mostra o grande segredo do concreto, a sua flexibilidade. Os testes mostram que uma peça feita com o novo material pode sofrer um estiramento de até 3% e recuperar integralmente sua resistência – isso equivaleria a esticar uma ponte de concreto com 100 metros de comprimento (se ela fosse feita por uma peça única) até que ela atingisse 103 metros, sem que ela se quebrasse.

E, tão logo curada dos danos, a ponte recupera inteiramente sua capacidade de operação. “Nós descobrimos, para nossa surpresa, que quando é forçada de novo após se curar, a peça se comporta como se fosse nova, praticamente com a mesma dureza e resistência,” diz Li.

Cimento extra-seco

A capacidade de se autoconsertar do novo concreto deve-se ao uso de um cimento extra-seco que, quando exposto por uma fissura, reage com a água e o dióxido de carbono do ambiente para formar uma espécie de “cicatriz” de carbonato de cálcio – o mesmo material encontrado nas conchas de animais marinhos. Nos testes em laboratório, o processo de cura levou entre 1 e 5 ciclos de molhagem e secagem. 

A imagem ao lado mostras as “cicatrizes” do concreto, as linhas brancas de carbonato de cálcio que se formam depois que o processo de cura se completa.

O processo de autoconserto atinge 100% de eficiência quando as fissuras individuais têm menos do que 50 micrômetros, mas o processo opera com aberturas de até 150 micrômetros.

Concreto reforçado com fibras

O novo material é chamado ECC (“Engineered Cement Composite”), é mais flexível do que o concreto tradicional e se comporta mais como um metal do que como um vidro.

O concreto tradicional é considerado uma cerâmica, sendo rígido e quebradiço, suportando um estiramento máximo de 0,01% antes de se partir. Já o ECC dobra-se sem se quebrar, suportando um estiramento máximo de 5% (a recuperação total dá-se até os 3%).

Hoje, os construtores reforçam o concreto com barras de aço, com o objetivo de manter as trincas tão pequenas quanto possível. O problema é que essas trincas, por minúsculas que sejam, deixam entrar líquidos que corroem o aço, o que reduz a resistência da construção ao longo dos anos.

O EEC é reforçado com fibras sintéticas, não estando sujeito à corrosão.

Fonte: Inovação Tecnológica

Elementos vazados ganham capacidade de proteção acústica

Os elementos vazados, blocos usados para iluminar e ventilar ambientes fechados, ganharam uma nova propriedade graças a uma pesquisa feita na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

A arquiteta Bianca Carla Dantas de Araújo introduziu mudanças na forma dos blocos que lhes garante isolamento acústico semelhante ao das paredes fechadas de alvenaria. O material utilizado é o mesmo dos elementos vazados comuns, argamassa de cimento e areia.

Elementos vazados

Blocos utilizam materiais simples para possibilitar produção em grande escala e dão proteção acústica similar à de uma parede sólida.(Imagem: Ag.Usp)

Também conhecidos como “cobogós”, o elemento vazado normalmente é produzido na forma de blocos com tamanho de 15 X 20 centímetros (cm). “Seu uso é muito comum no Nordeste brasileiro”, explica a arquiteta. “Eles são utilizados para proteger da radiação direta do sol, iluminar e ventilar ambientes naturalmente, de forma passiva (sem uso de energia elétrica), mas não possuem propriedades de isolamento acústico”.

No trabalho de Bianca, os blocos tiveram seu formato alterado, com a criação de pequenos desvios para a passagem do ar, de modo a dificultar a propagação das ondas sonoras por meio de fenômenos físicos, como a difração por exemplo.

“A entrada e saída de ar acontece em aberturas com posições diferentes, mudando sua direção e diminuindo o nível de intensidade sonora, que também é absorvida pelo material do bloco”, relata Bianca. “Ao mesmo tempo, o formato leva a uma sobreposição de ondas sonoras construtivas e destrutivas, e a inserção de material absorvente dentro do mesmo, que também atenuam o nível de ruído”.

Na pesquisa, os cobogós testados foram produzidos em argamassa de cimento e areia, que é o material mais usado em sua confecção, ao lado da cerâmica. Seu melhor desempenho foi identificado nas médias e altas frequências. Submetido a uma frequência sonora de 800 hertz, o bloco vazado registrou uma redução máxima de 37 decibéis. “O valor é comparável ao de uma parede de alvenaria totalmente fechada, sem aberturas”, aponta a arquiteta. “Nelas a redução de ruído varia entre 40 e 45 decibéis”.

Escala industrial

A produção do elemento vazado procurou utilizar o material mais simples disponível, reduzindo o custo dos testes e permitindo sua futura utilização em grande escala. “Buscou-se obter isolamento acústico definindo uma geometria funcional para os blocos”, descreve Bianca.

“Os elementos vazados podem ser colocados nas paredes, comporem fachadas inteiras, ou apenas uma abertura, e ainda adotados como divisórias”. Os estudos deverão prosseguir com o emprego de novos materiais na produção dos elementos vazados.

“Além da argamassa de cimento e areia, eles costumam ser feitos em cerâmica, madeira ou vidro”, conta a arquiteta. “A ideia é utilizar materiais sustentáveis, como aglomerados de fibras vegetais, como as de coco ou de cana-de-açúcar”.

O novo modelo de elemento está em fase de registro de patente, depois do qual será analisada a viabilização da produção em escala industrial. A pesquisa teve orientação do professor Sylvio Bistafa.

Fonte: Inovação Tecnológica

“Contour Crafting” construirá casa de 600 m2 em 24 horas

A Universidade do Sudeste da Califórnia (Estados Unidos) recebeu financiamento para uma missão inusitada: criar um método de construção de uma residência em 24 horas, sem utilização de mão-de-obra humana. “O objetivo é ser capaz de construir completamente uma residência térrea de 600 metros quadrados em um dia sem a utilização de mãos humanas,” disse Berokh Khoshnevis, professor de engenharia industrial que está chefiando o projeto.

O processo, chamado “Contour Crafting” (construção por contornos), já recebeu duas patentes, atraindo o interesse de arquitetos renomados, além de ter recebido o prêmio de melhor trabalho em uma importante conferência de robótica. O financiamento foi dado pela National Science Foundation para permitir a construção de um modelo em escala real do protótipo do professor Khoshnevis, que já funciona há cinco anos.

O sistema consiste em se construir as partes da casa em camadas, controlando-se o fluxo de uma massa líquida que, ao endurecer, forma a estrutura da residência. O fluxo do líquido é controlado por duas ferramentas parecidas com uma colher de pedreiro, montadas à frente de um bocal. O conjunto todo é fixado em um braço robótico móvel.

O equipamento pode criar ítens tridimensionais em qualquer formato que se deseje: cubos e caixas, taças e domos, cilindros, cones, cones saindo de caixas, anéis ou discos. Cada formato pode ser geometricamente regular ou ter uma forma livre, desenhado segundo os sonhos do arquiteto.

O material utilizado para a construção pode ser gesso, argila, concreto, plástico e mesmo partículas de madeira misturadas com epóxi, formando uma pasta. Um programa de computador baseado em representações de CAD guiam o equipamento, que molda o material no formato desejado enquanto ele ainda está semi-líquido.

O sistema Khoshnevis nasceu a partir de uma tecnologia, também nova mas já bem estabelecida, chamada prototipagem rápida (PR). A PR utiliza mecanismos semelhantes a cabeças de impressão de uma impressora a jato-de-tinta para construir, camada por camada, as superfícies sólidas que vão formar o objeto desejado. A prototipagem rápida, como seu nome indica, é utilizada para a criação de modelos em 3D, os protótipos, que são então utilizados para a criação de moldes para a fabricação em série dos objetos.

A “Contour Crafting”, ao contrário, objetiva a construção dos produtos acabados e não de protótipos. O uso de pás duplas para controlar o fluxo contínuo de material a partir do bocal é único, e permite a utilização de materiais mais baratos e mais duráveis, aplicados em camadas mais finas e sob melhor controle.

A técnica já pode ser utilizada para a criação de objetos muito maiores do que aqueles obtidos com equipamentos de prototipagem rápida apenas com a utilização de um bocal maior e montando-o sobre um sistema de movimentação. Esse sistema de movimentação tanto pode ser uma armação metálica que se move sobre trilhos quanto um unidade robótica sobre rodas.

No primeiro prédio que será construído com o novo sistema, o bocal iniciará o trabalho criando a moldura do prédio, uma parede oca com cerca de trinta centímetros de espessura. Cada camada da parede terá quinze centímetros de altura. O equipamento é capaz de completar a tarefa de uma única vez, completando tanto as paredes externas quanto as internas.

Na segunda passagem, o bocal desloca-se para cima e passa a aplicar uma nova camada, preenchendo a lacuna deixada na primeira passagem com mais material. A passagem contínua cria então uma parede totalmente sólida. A estrutura de sustentação, constituída por dois pilares montados sobre trilhos, pode ser utilizada para criar uma sucessão de casas em linha, cada uma delas podendo ter seu próprio design. A velocidade do equipamento é limitada apenas pelo tempo necessário ao endurecimento de cada camada, quando então é possível a aplicação da camada seguinte.

O sistema é flexível e permite a adição de acessórios ao equipamento básico. Por exemplo, um braço robótico pode inserir aço nas paredes à medida em que elas são construídas, dando maior resistência à casa. A criação de conduítes ocos para passagem de fiação elétrica e tubulação hidráulica também é simples.

Casas e outros prédios não são os únicos ítens que podem ser construídos com o “Contour Crafting”: tendo o terreno preparado, o sistema pode construir até mesmo uma estrada, de forma rápida e automática.

O aumento da escala do equipamento é o grande desafio. “Nós estamos falando de máquinas muito grandes, volumes de material muito maiores e de se trabalhar ao ar livre, em ambientes muito menos controláveis,” diz Khoshnevis. “Mas nós temos um sistema em pequena escala que funciona e não há razão teórica para que o mesmo sistema em larga escala não funcione,” entusiama-se ele.

E é bom que o sistema mostre-se capaz de operar em ambientes muito pouco controláveis: Khoshnevis disse que seu equipamento pode ser a melhor solução para a construção de prédios na Lua.

Fonte: Inovação Tecnológica, Oito Passos

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Empresa lucra com piso ecologicamente correto

Da Europa veio a inspiração para fabricar um piso de cimento 100% ecologicamente correto, lucrativo e sofisticado.

Foi durante uma viagem à Espanha, em janeiro de 1997, que a arquiteta Ana Cristina de Souza Gomes fez a descoberta que mudaria os rumos de sua vida profissional. Ao subir a escadaria do hotel onde estava hospedada, perto de Bilbao, ela reparou no piso: um curioso revestimento de cimento que não escorregava nem esquentava sob o sol. Decidiu entrar em contato com a fábrica, em Barcelona, e acertou a compra da tecnologia. “Foi muito barato, só US$ 50 mil”, diz.

Cinco meses depois, ela abria a sua primeira fábrica de revestimentos, em Porto Alegre. No ano seguinte, viria a segunda, em São Bernardo do Campo (SP). Desde o começo, Ana se deu conta de que tinha nas mãos um produto ecológico. “Para mim, essa é uma questão fundamental”, diz a empresária de 62 anos. As placas de cimento fabricadas pela Solarium não precisam passar por fornos: em vez disso, são colocadas em uma câmara de cura, alimentada com energia solar. Não há gasto de energia elétrica nem são expelidos gases poluentes na atmosfera. Além disso, são utilizados materiais reciclados na sua composição.

Hoje, a Solarium conta com cinco fábricas em todo o país. Especialista em atender arquitetos, já fez pisos sob encomenda para João Armentano e Sig Bergamin. Em 2009, seus revestimentos foram usados na reforma de 190 lojas do Pão de Açúcar, em São Paulo. Em 2009, a Solarium teve um crescimento no faturamento de 17%. A unidade com maior expansão foi a de Recife, com 80% de aumento nas vendas — segundo Ana, devido aos novos hotéis da região. Para 2010, sua expectativa é crescer 20%.

MATÉRIA-PRIMA RECICLADA | Na produção do piso de cimento refratário são utilizados materiais reciclados, como resíduos de pedras nobres: mármore, granito e quartzo. Parte desse material vem embalada em sacos de papel, que depois são vendidos para empresas de reciclagem

PROCESSO NATURAL | As placas de cimento são curadas, portanto não precisam passar por fornos. Por conta disso, gases poluentes não são expelidos na atmosfera. As câmaras de cura utilizam energia solar, o que significa que não há uso de energia extra — elétrica, a gás ou carvão

ESTRUTURA ECOLÓGICA | As fábricas são construídas para obter um aproveitamento máximo de iluminação natural, diminuindo o consumo de luz elétrica. A água da chuva é usada na fabricação de algumas linhas, que precisam ser lavadas com alta pressão — além disso, é usada para lavagem da fábrica e de equipamentos

EM DEFESA DAS ÁRVORES | Alguns revestimentos imitam a natureza: um deles, por exemplo, tem aparência de madeira, substituindo os pisos laminados tradicionais. Dessa maneira, evita-se o corte desnecessário de árvores

3 BONS NEGÓCIOS VERDES PELO MUNDO

1.MORADIA ECOLÓGICA
A empresa americana InPlay acaba de lançar uma linha de casinhas para gatos feitas de material reciclável. Além de ajudar na preservação do meio ambiente, elas podem ser decoradas pelas crianças.

2. VINHO DO BEM
Para minimizar o problema de uso de água contaminada, a americana CellarThief lançou uma campanha em que faz doações de água potável a cada garrafa de vinho vendida.

3. DIVERSÃO PRODUTIVA
Os produtos da australiana Make Do permitem construir engenhocas divertidas com um kit de materiais que geralmente vão para o lixo, como cartolina, plástico, palitos e tecido. É quase como um jogo, em que cada participante escolhe, sem ver, um cartão que pergunta como tornar determinado objeto mais sustentável. Pode ser uma cadeira, um aspirador de pó ou um carro.

Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios